PPGVET
· Apostila técnica · Edição 2026
Acesso liberado

Cirurgia de tecidos moles em bovinos: feridas, abscessos e hérnias

Parte IFeridas em ruminantes

Feridas, cicatrização e abscessos

Este material sintetiza, de forma técnica e organizada, o conteúdo da aula sobre cirurgias de tecidos moles e pele em bovinos, com foco em três eixos: diagnóstico diferencial e manejo de feridas traumáticas, tratamento de abscessos, e correção cirúrgica de hérnias umbilicais e inguinais.

1.1 Diagnósticos diferenciais de afecções cutâneas

Antes de tratar uma ferida como lesão traumática, é preciso afastar outras afecções cutâneas que se apresentam de forma semelhante. Entre as principais categorias etiológicas estão as bacterianas (dermatofilose por Dermatophilus congolensis, linfadenite caseosa), fúngicas (dermatofitoses por Trichophyton e Microsporum, pitiose em equinos e pequenos ruminantes), virais (parapoxvírus, com vesículas na glândula mamária) e parasitárias (estefanofilariose, sarnas, pediculose).

Também compõem o quadro as neoplasias (carcinoma de células escamosas, melanoma, papiloma viral) e as causas físicas ou químicas, como queimaduras por soda cáustica na mochação e lesões térmicas em regiões de queimada. Só depois de excluir esses diferenciais é razoável tratar a lesão como ferida traumática pura.

Acidentes ofídicos, diferencial importante em edemas

Botrópico
Jararaca
Veneno: Proteolítica e coagulante
Quadro: Necrose tecidual extensa e sangue coagulado no local
Crotálico
Cascavel
Veneno: Coagulolítica, não proteolítica
Quadro: Sangramento local sem necrose proteolítica evidente
Laquético
Surucucu
Veneno: Proteolítica e coagulante
Quadro: Semelhante ao botrópico
Elapídico
Coral, família Elapidae
Veneno: Neurotóxica
Quadro: Dor intensa e paralisia neural, sem reação proteolítica

A gravidade do envenenamento depende da quantidade de peçonha inoculada e do porte do animal, sendo bezerros proporcionalmente mais afetados que adultos. O diagnóstico não deve ser presumido apenas pela presença de edema, sobretudo em animais encontrados mortos: existem diferenciais como timpanismo de putrefação e clostridioses (carbúnculo, edema maligno), e acidentes com himenópteros também causam edemas agudos.

1.2 Feridas traumáticas, etiologia e prevenção

A etiologia predominante das feridas lacerantes é o trauma mecânico: enredamento em cercas, quedas e contato com objetos cortantes. Sobre tipos de cerca, o arame liso tende a causar mais acidentes por não gerar dor imediata, o arame farpado gera menos acidentes porque a dor faz o animal recuar, e a cerca elétrica é apontada como alternativa mais segura e, em geral, mais econômica (2 a 3 fios contra 4 a 6).

1.3 Abordagem inicial da ferida

Não existe protocolo único para o tratamento de feridas: a conduta depende do estágio da lesão, da localização anatômica, dos recursos disponíveis e do manejo da propriedade. Ainda assim, alguns princípios são constantes.

Contenção

Física e, quando o temperamento do animal exigir, química (sedação).

Anestesia local

Reduz dor e resposta inflamatória. Anestésicos têm eficácia reduzida em meio ácido, por isso o bloqueio deve ficar afastado da lesão ou diretamente sobre nervos específicos.

Avaliação da integridade estrutural

Em feridas de membros, é obrigatório avaliar vascularização, inervação e integridade locomotora (tendões e ligamentos). Bordas frias ou casco gelado indicam necrose iminente. A necrose de casco tem prognóstico reservado a grave, frequentemente evoluindo para eutanásia.

A ruptura de tendões é identificada por alteração postural e pode ser conduzida com bandagem em extensão. Lesões ligamentares têm prognóstico geralmente pior que as tendíneas, pela perda mais acentuada de elasticidade e função.

1.4 Fisiologia da cicatrização

O processo cicatricial é dividido classicamente em quatro a cinco fases: coagulação (hemostasia), inflamação, proliferação (formação de tecido de granulação), contração e remodelamento. Inflamação e proliferação são etapas fisiológicas necessárias, mas seu excesso, clinicamente reconhecido como carne esponjosa ou granulação exuberante, pode impedir o fechamento adequado da ferida.

Fatores que retardam a cicatrização

Locais e mecânicos

Tensão cutânea excessiva, fio de sutura inadequado, falta de oxigenação tecidual.

Sistêmicos

Desidratação celular, hipovolemia, anemia, uso de corticoides na fase errada do processo.

Infecciosos

Infecção e reinfecção, apontados como os fatores mais determinantes de retardo cicatricial.

1.5 Primeira, segunda e terceira intenção

Primeira intenção
Sutura total da ferida (fechamento cirúrgico completo).

Indicação: Feridas recentes (idealmente até 6 horas do trauma), limpas, com bordas viáveis e sem tensão excessiva.

Segunda intenção
Tratamento clínico com ferida aberta, cicatrização espontânea.

Indicação: Feridas contaminadas, antigas, com perda de tecido ou grande tensão de bordas.

Terceira intenção
Sutura parcial associada a dreno.

Indicação: Feridas com contaminação relevante que ainda se beneficiam de aproximação parcial das bordas.

1.6 Limpeza, antissepsia e produtos tópicos

A limpeza mecânica pode ser feita com água e sabão neutro para sujidade leve, ou soro fisiológico quando a água disponível não é limpa. Antissépticos halogenados (iodopovidona, clorexidina) são úteis, mas citotóxicos em uso excessivo, podendo agredir o tecido de granulação. A clorexidina é indicada para limpeza diária de feridas sujas e também apresenta ação sobre dermatites fúngicas.

Água oxigenada e permanganato de potássio são ainda mais citotóxicos, com uso restrito e moderado, evitando mucosas e trajetos fistulosos. Soluções hipertônicas (sal, açúcar) atuam por desidratação bacteriana; o açúcar cristalizado estimula a fase inflamatória pelo atrito, útil para acelerar o fechamento de feridas muito abertas, mas deve ser evitado quando já há granulação excessiva.

Pomadas antibióticas são indicadas para feridas infectadas, com pus ou secreção. Pomadas com corticoide reduzem inflamação e granulação excessiva, sendo possível associar corticoide injetável a pomadas de base para reduzir custo. Antiparasitários tópicos (mata-bicheiras) são frequentemente confundidos com cicatrizantes, mas são pró-inflamatórios: seu uso deve se restringir ao período de miíase.

Conceito central

Não existem pomadas verdadeiramente cicatrizantes no mercado, capazes de acelerar a epitelização ou remodelação tecidual. A única intervenção com efeito cicatrizante comprovado seria a aplicação de células-tronco.

O objetivo prático do tratamento tópico é não atrapalhar o processo natural: manter a ferida livre de infecção e controlar a inflamação.

Quanto ao debridamento, em feridas abertas e infectadas ele é benéfico, pois estimula circulação e fase inflamatória, favorecendo o fechamento. Já em feridas com granulação excessiva, a esfregação deve ser evitada, sob risco de agravar a inflamação. Para dermatites fúngicas, na ausência de formulações veterinárias específicas, pode-se recorrer a antifúngicos de uso humano. Em equinos e pequenos ruminantes com feridas profundas ou fistulosas, considerar soroterapia antitetânica.

1.7 Abordagem sistêmica do paciente com ferida

O tratamento não deve se restringir à lesão local: é necessário monitorar alimentação, hidratação, dor e febre, já que fatores sistêmicos como anemia e doenças concomitantes podem retardar significativamente a cicatrização. Antibióticos sistêmicos são indicados principalmente em feridas com fístulas ou sinais de infecção, com foco em cocos gram-positivos.

Três fatores determinam o prognóstico: vascularização, temperatura corporal local e tensão da pele. Feridas distais (em membros) cicatrizam mais lentamente por apresentarem menor vascularização, menor temperatura e maior tensão cutânea, condições que favorecem um ciclo de infecção e retardo cicatricial.

1.8 Situações clínicas especiais

Feridas por mordedura de cão

Alta contaminação e frequente evolução para abscessos e fístulas. Indicar tricotomia, limpeza cuidadosa, abertura ventral para drenagem e antibioticoterapia sistêmica.

Feridas articulares

Conduta habitual por terceira intenção. O dreno (por exemplo, dreno de Penrose) mantém a ferida aberta e permite drenagem por gravidade, posicionado de modo a não interferir na linha de sutura.

Perfusão regional com antibiótico

Indicada para infecções digitais ou osteoarticulares. Utiliza-se garrote para concentrar o fármaco na região afetada, permitindo doses menores por via intravenosa regional, com boa eficácia em casos localizados.

1.9 Abscessos

Resultam, em geral, de infecções perfurantes ou corpos estranhos. O diagnóstico é feito por inspeção, palpação e, quando necessário, ultrassonografia. O tratamento pode incluir compressas quentes para acelerar a maturação, drenagem cirúrgica ou remoção da cápsula. Quando indicada, a drenagem deve ser feita com incisões amplas (duplas ou em cruz), na porção mais ventral possível, favorecendo a saída de secreção por gravidade e reduzindo o risco de reacúmulo.

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Parte IIHérnias em bovinos

Hérnias umbilical e inguinal, do diagnóstico à herniorrafia

2.1 Definição e componentes de uma hérnia verdadeira

Uma hérnia verdadeira ocorre em uma cavidade pré-existente e deve apresentar, obrigatoriamente, três componentes: anel herniário, saco herniário (projeção do peritônio parietal) e conteúdo (vísceras ou tecido adiposo). Na ausência de conteúdo projetado, a condição não é classificada como hérnia.

Só existem três hérnias verdadeiras

Umbilical, inguinal e perineal. São as únicas que se formam em cavidades anatômicas pré-existentes. As demais (diafragmática, incisional) são, tecnicamente, eventrações.

Hérnia, eventração e evisceração

Hérnia

Projeção de conteúdo através de um anel em cavidade pré-existente (umbilical, inguinal, perineal).

Eventração

Projeção de vísceras por defeito na parede muscular, em local sem cavidade pré-existente (ex.: diafragmáticas e incisionais).

Evisceração

Ruptura da pele com exposição direta das vísceras ao meio externo.

2.2 Classificação das hérnias

Redutível

Conteúdo retorna espontânea ou manualmente à cavidade, prognóstico mais favorável.

Irredutível

Conteúdo não retorna, pode envolver encarceramento ou aderências, prognóstico pior.

Não estrangulada

Geralmente indolor, permite abordagem eletiva.

Estrangulada

Comprometimento vascular da víscera, dor intensa, risco de necrose, emergência cirúrgica.

Sinal morfológico prático: hérnias umbilicais alongadas e pendulosas costumam indicar anel pequeno, sendo mais preocupantes, frequentemente irredutíveis e com maior risco de estrangulamento. Hérnias arredondadas tendem a apresentar anel maior, em geral redutíveis e com menor risco de estrangulamento.

2.3 Tipos de hérnia em grandes animais

Umbilical

A mais frequente na rotina de bovinos. Predisposição aumentada em bezerros de transferência de embriões ou FIV, associada à hipertrofia do cordão umbilical. Recomenda-se excluir da reprodução animais com hérnia umbilical congênita, pelo possível caráter hereditário.

Inguinal ou inguinoescrotal

Ocorre exclusivamente em machos. Pode se manifestar após aumento da pressão intra-abdominal (timpanismo, cópula, quedas). Cursa com cólica aguda e grave quando há estrangulamento de alça, exigindo cirurgia emergencial.

Perineal

Rara em bovinos, mais associada a cães idosos.

Diafragmática (eventração)

Rara, cursa com sintomas respiratórios.

Incisional (eventração)

Comum após cirurgias abdominais prévias.

2.4 Diagnóstico diferencial e complicações

A hérnia umbilical deve ser diferenciada de afecções umbilicais como abscesso e onfalite, e a inguinoescrotal de orquite. A palpação é a ferramenta diagnóstica de primeira linha, complementada por ultrassonografia nos casos duvidosos. Hérnias não estranguladas podem apresentar caráter intermitente, considerado sinal de bom prognóstico. Um risco relevante em hérnias crônicas é a fístula: a pele se rompe, permitindo extravasamento de conteúdo (por exemplo, abomaso em bezerros), levando a magreza e perda de peso progressivas.

2.5 Prognóstico e momento cirúrgico

Hérnia não estrangulada, anel pequeno

Favorável, cirurgia eletiva.

Hérnia estrangulada

Desfavorável, risco de peritonite, cirurgia imediata independentemente da causa.

Anel muito grande

Reservado, menor risco de estrangulamento, porém maior risco de aderências e fístulas.

Hérnia congênita pequena

Pode ser acompanhada, com possibilidade de resolução espontânea.

Hérnia traumática não estrangulada

Aguardar formação de fibrose local antes de operar.

2.6 Técnicas de herniorrafia

Fechada
O saco herniário não é aberto; seu conteúdo é reduzido para a cavidade com o saco íntegro.

Indicação: Técnica de escolha na maioria dos casos, quando não há estrangulamento.

Aberta
O saco herniário é aberto para manipulação direta de vísceras estranguladas, aderidas ou fistuladas.

Indicação: Necessária quando é preciso tratar diretamente o conteúdo, como alça intestinal necrosada.

Com malha (biológica ou sintética)
Reforço protético da parede.

Indicação: Reservada a hérnias muito extensas, cujo anel não é possível aproximar apenas com sutura.

2.6.1 Passo a passo da herniorrafia fechada

Sequência de referência para correção de hérnia umbilical em bezerros, extensível, com adaptações, à hérnia inguinal.

  1. 1
    Posicionamento

    Decúbito dorsal é a posição de escolha. A campo, pode-se improvisar com coxo (para animais pequenos) ou colchão, com membros amarrados e tracionados para cima, expondo a região umbilical ou inguinal e preservando a coluna do cirurgião.

  2. 2
    Incisão

    Sempre elíptica, nunca circular. A incisão elíptica facilita a síntese posterior e proporciona resultado estético superior.

  3. 3
    Divulsão romba

    Com tesoura, separa-se cuidadosamente a pele do saco herniário, sem perfurá-lo. A perfuração acidental equivale a um acesso não planejado à cavidade abdominal.

  4. 4
    Redução do conteúdo

    Confirmada a ausência de estrangulamento, o saco herniário é reduzido (empurrado) para dentro da cavidade sem ser aberto, caracterizando a técnica fechada.

  5. 5
    Debridamento das bordas do anel

    Etapa considerada a mais crítica para o sucesso cirúrgico. Remove-se o tecido conjuntivo ou adiposo da borda com tesoura e escarifica-se com lâmina de bisturi até expor tecido fibroso, criando uma nova solução de continuidade (ferida sobre ferida). Sem esse passo, sutura de tecido adiposo contra adiposo não cicatriza, favorecendo recidiva.

  6. 6
    Sutura do anel (cochoeiro, jaquetão, Mayo)

    Passa-se o fio em padrão de sobreposição: entra-se de um lado por baixo da borda, sai-se por cima do lado oposto, retorna-se pelo mesmo lado e sai-se novamente por baixo do lado oposto, de modo que uma borda do anel se sobreponha à outra. O número de jaquetões varia com o tamanho da hérnia (3 a 7 ou mais).

  7. 7
    Distribuição de tensão

    Todos os fios são passados e tensionados antes de qualquer nó, mantidos com pinça hemostática, para distribuir a tensão de forma homogênea. Em seguida, o auxiliar mantém a tração enquanto o cirurgião finaliza os nós um a um. Reduz o risco de deiscência.

  8. 8
    Fio de eleição

    Fio inabsorvível de nylon é preferido ao algodão, por este último apresentar maior capilaridade, favorecendo retenção de sangue e infecção. Usar agulhas curvas de maior calibre, sobretudo em herniorrafia inguinal, onde o espaço é reduzido.

2.7 Particularidades da hérnia inguinal ou inguinoescrotal

  • Diagnóstico por palpação inguinal ou transretal (equinos adultos) e por palpação direta (bovinos machos).
  • A abordagem cirúrgica preferencial é a incisão sobre o anel inguinal, com espaço reduzido e risco de perfuração acidental do dedo do cirurgião.
  • Recomenda-se orquiectomia do lado herniado: o testículo correspondente sofre isquemia por compressão da alça encarcerada e degenera, tornando-se não funcional.
  • Em encarceramento intestinal, é necessária cirurgia de cólica associada (enterectomia com anastomose), além da correção do defeito herniário.
Sensibilidade testicular ao trauma

O testículo tem baixa tolerância a agressões: as células de Leydig degeneram rapidamente diante de trauma ou inflamação prolongada. Em traumas testiculares, a degeneração e atrofia podem se instalar em cerca de 24 horas, tornando o órgão definitivamente não funcional. Trauma testicular agudo deve ser tratado como emergência.

2.8 Complicações pós-operatórias

Edema pós-operatório

Causa: resposta inflamatória normal ao trauma cirúrgico. Conduta: anti-inflamatórios e compressas.

Recidiva da hérnia

Causa: debridamento insuficiente das bordas do anel, técnica inadequada ou fio incorreto. Conduta: reoperação com debridamento adequado e fio inabsorvível apropriado.

2.9 Considerações práticas e éticas

É desaconselhado o uso de elásticos (elastradores usados na castração de cordeiros) para tratamento de hérnias em potros e bezerros. Ainda que a prática empírica possa promover fechamento por necrose e segunda intenção, o risco é elevado: caso haja alça intestinal encarcerada, o elástico pode estrangular o intestino junto com a pele; mesmo sem encarceramento, o procedimento pode necrosar a pele de forma descontrolada. A recomendação técnica é priorizar a correção cirúrgica.

Sobre precificação (varia por região): a herniorrafia em bezerro, por ser relativamente rápida, foi estimada em meio salário mínimo de diária (cerca de R$ 500 a R$ 700, com piso sugerido em torno de R$ 350), reforçando que o preço de procedimentos veterinários deve considerar o tempo técnico envolvido e evitar valores abaixo do sustentável para a atividade.

Parte IIIRevisão rápida

Síntese e pontos-chave

Feridas
  • Sempre descartar diferenciais antes de tratar como ferida traumática.
  • Em feridas de membro, avaliar vascularização, inervação e locomoção.
  • Escolher entre 1ª, 2ª e 3ª intenção conforme evolução e viabilidade.
  • Tratamento tópico controla infecção e inflamação, sem atrapalhar o processo natural.
  • Infecção e reinfecção são os principais fatores de retardo cicatricial.
Hérnias
  • Só há três hérnias verdadeiras: umbilical, inguinal e perineal.
  • Classificar quanto à redutibilidade e ao estrangulamento é indispensável.
  • Técnica fechada é padrão na ausência de estrangulamento.
  • Debridamento da borda do anel é o passo mais determinante para prevenir recidiva.
  • Distribuir a tensão dos pontos antes de finalizar os nós reduz deiscência.
  • Na inguinoescrotal, indica-se orquiectomia do lado afetado.
  • Uso de elásticos para tratar hérnia não é tecnicamente recomendado.

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Glossário rápido

Anel herniário

Defeito na parede que permite a passagem do conteúdo abdominal.

Saco herniário

Projeção do peritônio parietal que envolve o conteúdo herniado.

Debridamento

Remoção de tecido inviável ou não aderente, para permitir cicatrização.

Deiscência

Abertura espontânea da linha de sutura no pós-operatório.

Eventração

Projeção de vísceras por defeito muscular fora de cavidade pré-existente.

Evisceração

Exposição direta das vísceras ao meio externo por ruptura de pele.